sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quero ter você.

Eu me apaixonei por você. Eu descobri, tarde demais, que estava inteira e completamente apaixonada por você. Tarde demais, porque se eu tivesse percebido antes que estava me apaixonando pra valer, eu teria comprado a primeira passagem que surgisse nessas propagandas que me enchem o email e teria ido pra longe de você. Se eu tivesse percebido a tempo, teria trocado de trabalho, de profissão, de celular, de endereço. Eu poderia ter trocado a cor do cabelo, virado vegetariana, feito algum voto de silêncio. Mas agora é tarde demais. Agora eu sou dessas que basta olhar no fundo dos olhos pra saber que tem um amor. 
Se eu fizesse uma declaração dessas algum tempo atrás, nós dois cairíamos na risada. Nunca tivemos a pretensão de redescobrir o amor. E então eu percebi que você me amava, e ainda assim, achei que tudo estava sob controle. Agora eu percebo que foi esse jeito manso, de quem não tem preocupações e que tem a absoluta certeza de que não vai se envolver demais que me boicotou. Eu realmente me apaixonei por você. E vou repetir isso todas as vezes que puder.
Veja bem, se eu tivesse percebido a tempo, teria fugido de você. Teria fugido de mim. Teria fugido. Só que eu não percebi e não fugi e agora tenho que lidar com essa coisa dentro de mim que me faz querer compartilhar cada detalhe da minha rotina com você. 
Eu quero te dar bom dia, quero saber das suas refeições, dos seus compromissos, quero te ouvir reclamar do clima, do transito, da caixa de entrada lotada com sugestões de viagens que você não pode fazer. Quero ajuda pra escolher o que pedir no delivery, e seu apoio todas as vezes que eu quiser comprar uma nova trilogia. Quero ouvir o que está tocando na sua playlist e quero te ter do meu lado assistindo minhas novas séries favoritas. Quero chegar do trabalho e ser envolvida nos seus braços e me acalmar com o ritmo da sua respiração. Quero te deitar no meu colo, te fazer um cafuné e te garantir que tudo vai dar certo. Quero que tudo dê certo pra você. E se der errado, quero estar por perto pra te acalmar.
Quero ter você na minha vida por todos os próximos anos que eu tiver. Quero ter você na minha vida todos os dias que você me quiser. Quero essa relação que flui naturalmente, e que me faz te tocar por instinto, pra você saber que estou com você. Quero te ver me olhando nos olhos e dizendo que sou sua, e quero continuar rindo e te respondendo que eu sou muito minha, mas que me empresto pra você. Eu estou inteira e completamente apaixonada por você, e vou repetir isso todas as vezes que puder.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

É tão complicado

É complicado escrever aqui de novo, tanta coisa mudou em mim e na vida e as palavras que antes eram doces chegam a me machucar. O amor não é assim tão simples, e nem dá pra dizer que mais alguém entende o que é que se passa dentro de mim. Mas as pessoas continuam tentando. Arriscando saber quem eu amo,  tentando adivinhar se eu tenho ou não romances secretos do mundo. Tentando adivinhar quem é que eu realmente sou e os motivos que me regem. 
É complicado escrever aqui de novo, porque parece que tudo que está nessas linhas é literal e fiel. Como se de fato, eu tivesse alguém perdendo tempo me convencendo a comer ovos de gema mole. Como se eu realmente não conseguisse mais descer escadas correndo, ou como se até aquela coisa de ter escrito 236 textos sobre alguém fosse real. 
Não é, não é, não é. É claro que eu sei que existem pessoas que me amam, o que eu nunca pensei que ficaria tentada a explicar é que nem tudo é assim como quando está escrito. Eu seria a mulher mais sortuda do mundo se tivesse mesmo um moço como esse dos últimos textos na minha vida, assim como adoraria que homens como Maxon, Gale, Peeta, Fernando Seixas, até mesmo o Alex - personagens dos meus livros mais queridos - existissem. 
É complicado escrever quando parece que tudo precisa ser explicado para que não hajam mal entendidos. É complicado escrever quando tenho que pensar e repensar as palavras para que alguém não ache que descobriu os segredos mais escondidos da minha vida quando simplesmente pôde ler um dos meus textos.
Eu queria poder dizer que sou mais do que esses textos, mas acho que eles é que são muito mais do que eu. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Eu sei que você me ama

Eu sei que você me ama. Pode parecer um absurdo eu dizer isso, mas descobri esses dias que você realmente me ama. É sério, você que não sente saudade, é sim capaz de amar alguém.
Eu sei que você me ama porque você me diz bom dia, não pelo hábito ou por educação, mas diz querendo contribuir para que haja sorriso nas minhas manhãs. Sei que me ama, porque você é capaz de querer me ver com cara de sono, e porque ri, sabendo que eu estou sempre com sono.
Sei que me ama porque você deixa a barba por fazer, reforçando a sua dedicação em me agradar. E tenho certeza que você me ama porque você me deixa te fazer um carinho, mesmo sem ter certeza de que gosta da sensação.
Você me ama porque respeita minha paixão por carne, e ainda não desistiu de me fazer apreciar ovos com gema mole. Sei que me ama porque me manda ir ao mercado, e ameaça ligar pro delivery todas as vezes que eu não quero fazer o jantar. Você me ama de óculos, de lentes de contato, de cabelo liso ou cacheado. Me ama brava, e me ama mais ainda sorrindo. Me ama com o biquíni branco, e continua me amando com o biquíni vermelho de franjas que você acha feio.
Sei que me ama porque você não dorme antes de tentar resolver uma mágoa, e porque você continua me amando mesmo quando discorda de mim. Me ama dizendo que eu estou certa, e me ama mais ainda quando pode dizer que estou errada - e diz, com um sorriso encantador.
Sei que me ama porque eu nunca precisei perguntar se era amor, nunca duvidei que era amor, e porque você me deixou descobrir sozinha que era mesmo amor.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Como uma carta

Já fazem muitos dias que eu não consigo escrever um texto. Tenho exatamente oito rascunhos, cheios de frases e emoções que não parecem bons o suficiente para serem texto sabe? E eu posso ver você me dizendo que essa minha mania de perfeição é que me deixa doida. Mas eu não estou doida. Você, mais do que ninguém, deveria saber disso.
Deveria saber que eu gosto de você, e que tenho motivos racionais pra isso. Você é inteligente, amável e é extremamente confortável ficar ao seu lado. Você nunca me força a andar de mãos dadas e eu não te forço a me mandar bom dia todas as manhãs.
E também não há necessidade de dizer que é amor, nem mesmo de dizer se é mesmo amor, e não me importam os títulos, as formalidades, você devia saber que não me importa. Não importa se você vai me dar flores, chocolates ou um abraço apertado, o que importa é você ter anotado na sua agenda uma data importante, e me olhado nos olhos e pedido para eu não te deixar esquecer. Eu entendo que você morre de medo de me desapontar, e de me ver ir embora. E eu valorizo seus esforços, já te disse uma vez, eu percebo, e reconheço, mas as vezes eu me rendo ao péssimo hábito de só verbalizar as coisas ruins, e guardar pra mim as boas. Sinto muito se isso te faz sentir desvalorizado.
Sinto muito também por não conseguir usar uma resenha de um filme ou livro, para deixar só subentendido os meus sentimentos. Não é assim que funciona. Eu escrevo o amor, a saudade, e muitas vezes aquela coisa de tristeza e dor, mas escrevo assim ó: como uma carta. Carta que tem destinatário definido, mesmo que muitos leiam e recebam pra si essas palavras,  e você bem sabe que muitos recebem. E eu posso te ver perguntando como é que você vai saber se o texto é pra você, ou pro outro, e pro outro, e pro outro... não há como saber. Vou pegar emprestado uma ideia que li hoje num texto muito bem escrito: o que há, de fato, da pessoa que escreve, e o que há de nós mesmo, os que leem, ali? 
E você pode estar lendo isso agora, e desejando dizer isso a alguém, ou você pode estar tentando adivinhar pra quem é que eu escrevi esse texto, só que há, de fato, muito mais de você nessas suas interpretações do que de mim. Você pode tentar, mas não se iluda, não é tão simples assim, ler os textos e através deles me ler. Não há como vir aqui, ou ler meus rascunhos, e entender se é ou não amor. Nem há como saber se sua terapeuta diria para você se afastar de mim. Não há como saber, especialmente quando nunca se tem coragem de perguntar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vem comigo, por favor.

eu preciso me confessar. te contar que eu já não sou tão segura, e que as vezes me arrependo de ter me exposto e me mostrado tanto a você. te contar que cada vez que se você se mantem longe uma parte de mim deseja que você não volte e que eu possa seguir em frente. eu sei que você não pediu para que isso acontecesse, nem o amor, nem a saudade. sei que eu também não pedi.
não pedi para você ter um sorriso só meu, nem pedi pra que você me contasse sobre ele. eu só queria alguém novo pra compartilhar a vida. nunca quis te chamar de amor, nem te chamar de meu, nem te chamar de manhãzinha pra contar dos meus sonhos. não planejei como seria nossa história e nem fui fantasiando como eu era acostumada a fazer. mas agora eu preciso te contar que sou cheia de insegurança e que acho que não queria que você soubesse tanto de mim como você já sabe. acho que preferia ser um mistério a desvendar, ou pelo menos não queria ser tão previsível. não queria ser legal com você mesmo quando estou sentindo tanto a sua ausência. queria não me importar de te deixar falando sozinho, e não me importar de ser ignorada também. e eu acho que queria não ter te conhecido, e não ter tido o espaço que tive na sua vida. acho que o que eu queria mesmo é que você tivesse pra mim o tempo, a dedicação e o carinho que tenho pra você, na mesma medida. mesmo tendo certeza que isso parece absurdo. mesmo querendo seguir em frente, mas desejando ardentemente que você siga em frente ao meu lado. queria não me sentir vulnerável. e queria não ser a sua primeira opção apenas nas horas vagas. ainda que ser a primeira opção seja reconfortante. ainda que seja alguma coisa, e alguma coisa seja melhor que nada. ainda que eu me sinta boba e insegura falando sobre isso. queria confessar que não estou tão feliz como eu estava. e queria dizer que talvez a culpa seja sua.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Injusto.

Ainda estou tentando entender o que se passou com você ontem. Já fazem mais de dez horas e eu ainda não sei de onde surgiu aquela sua reação exagerada a um comentário tão inofensivo. Você podia ter rido, podia ter feito charme, podia ter tido uma crise boba de ciúmes. Agora eu vejo que você estava frágil, e que eu posso estar subestimando suas emoções todas. Mas você não pode me dizer que não sente nada e então sentir, sabe? Você me pede pra ter cautela, e quando eu fico cautelosa e realista e esqueço até de sentir saudade, você volta e diz que isso te deixa triste? Se esse é seu novo método de tortura, parabéns, funciona perfeitamente. Hoje quando eu acordei, parecia que tinham atropelado meu coração e não faço a mínima ideia de como arrumar isso. Na verdade eu sei que se eu tivesse ficado brava, e te mandado uma infinidade de mensagens mal educadas seria muito mais fácil de lidar. Mas por medo de parecer imatura, eu deitei a cabeça no travesseiro e fechei o olho bem forte pra tentar não pensar. Só que eu preciso te dizer que não acho justo você fazer isso comigo, logo comigo que já coloquei todas as cartas na mesa e já te contei as regras do jogo e até te expliquei como saber quando estou blefando. Não é justo você agir como se as regras fossem diferentes pra mim e pra você. Eu já podia prever que me envolver com você era uma emboscada querido, mas nunquinha que podia imaginar que a maior fonte de risco seria você.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Emboscada

Você me colocou numa emboscada rapaz. E eu não tenho como fugir, e nem sei se quero fugir pra algum lugar. Na verdade o que eu queria mesmo é ter uma chance de fugir com você, e poder conversar contigo, enquanto observamos o sol nascer. Queria te olhar nos olhos e descobrir algum segredo teu. Mas eu queria também não ter te conhecido sabe? Não ter nunquinha me encantado com esse seu jeito tão diferente do meu que tem estampado em si o aviso de cilada, entende? Gostar de você é o problema. Não que eu tenha medo de enfrentar problemas, mas eu acho que preferia não ter me metido nisso. E falar sobre isso é a maior perda de tempo porque você já é parte da minha vida, e eu não sei se consigo abrir mão de você. Entende? Você é a emboscada rapaz, e eu tenho a impressão que eu não tenho como escapar. E se você fizer questão, eu posso até assumir que não tenho intenção nenhuma de tentar.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eu precisava dizer.

Eu não consigo escrever sobre você. A verdade é essa. A verdade é que isso aqui está desatualizado porque escrever e não te citar é impossível, mas escrever sobre você não é simples. Então eu podia escrever pra você, como já fiz outras vezes pra outras pessoas, mas saber que você vai mesmo ler, e vai entender, e vai querer olhar nos meus olhos depois disso é assustador. 
Mas eu preciso te dizer que te conhecer bagunçou mais a minha vida e as minhas certezas, do que as suas - e eu posso imaginar a loucura toda ai dentro de você. Preciso dizer que não entendo como é que pode você não sentir saudade das pessoas, e como é que você consegue não querer estar no controle de tudo. Sim, eu preciso, com toda a urgência que fica implícita nesse verbo. E eu preciso dizer que me irrita ter que pensar e repensar a cada escolha de palavras porque essa nossa história é nossa, e ninguém vai entender direito se ficar sabendo. Mas eu preciso dizer o quanto é divertido falar com você todos os dias, e o quanto é triste ir dormir sabendo que você não vem me desejar boa noite. Preciso dizer que sinto saudade de você, de ouvir sua voz, de poder te ver sorrir com um copo de café; e que as vezes a unica coisa que preciso é que você sinta a minha falta também, por mais bobo que esse desejo seja. Talvez a essa altura você já tenha se perguntado se eu estou apaixonada por você. Acredite que eu já me perguntei isso também. E não tenho uma resposta. Não posso dizer que sim, mas não dá pra ignorar todos os sentimentos bons que me invadem quando penso em você. A verdade é que eu sou mesmo alguém a procura do amor, e nós sabemos que você nunca foi uma opção. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

No passado mesmo.

Eu te tinha em mais alta conta sabe? Dessas poucas pessoas que eu apoiava independente da causa. Dessas que a gente apresenta os amigos mais queridos, que a gente lembra durante um show, dessas pra quem a gente vira álibi sem reclamar. Eu juro que pensei que superaríamos qualquer problema. Mas ontem fui dormir com a certeza de que isso não é mais verdade.
Eu mudei, você cresceu.
Você bem sabe que eu podia ter sido imparcial, e que eu podia ter te ouvido, te aconselhado, e que eu podia estar te apoiando nessa decisão agora. Mas você preferiu desabafar com outras pessoas, e preferiu confiar em gente que te conhece a bem menos tempo, mas que pelo menos te conhece agora. Não vou te julgar, e prometo não brigar também. Eu só precisava dizer que eu te tinha em mais alta conta. Verbalizar isso, com o verbo conjugado no passado mesmo. E dizer que daqui um tempo, e nem vai demorar muito, isso vai virar só uma lembrança. E vai ser passado também.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Desaprendi a arriscar


Sinto saudade da minha sabedoria instintiva de antigamente.  De quando eu era capaz de me arriscar ou de deixar pra lá qualquer coisa sem medo de me arrepender. Quando a certeza de que tudo ficaria bem me invadia nas madrugadas frias, e tudo,  tudo mesmo parecia sobre controle. Hoje, olho pela janela e me vejo receosa. Não consigo mais descer correndo por uma escada sem sentir medo de me machucar.  Nem consigo mais esperar pelo acaso para te encontrar na fila do almoço, ou do supermercado. Agora tenho como companhia a necessidade de planejar tudo milimetricamente, com a ilusão de que isso evita as decepções.
Sinto saudade da minha versão de antigamente. De quando eu tinha certeza que sabia ficar sozinha, de quando diluir os meus sentimentos confusos em prosa era suficiente pra lidar com eles. Hoje, preciso te olhar nos olhos e dizer o que me sufoca. Isso mesmo: preciso me expor, no olho-no-olho, pra conseguir ter um pouco de tranquilidade. Hoje tenho medo de me perder entre meus desejos e as coisas que me gritam pra não fazer. Tenho medo de não ouvir um conselho e isso doer mais do que a frustração de não ter feito o que eu pensava ser certo. Desaprendi a arriscar, a confiar nos instintos e não ter medo nenhum de me arrepender. Sinto-me uma versão menos segura de uma menininha que eu costumava achar a mais insegura das criaturas. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Eram frutinhos roxos

Sentei num daqueles bancos gelados que ficam embaixo das árvores com frutinhos roxos. Estava precisando dar um tempo pros meus pensamentos, e ali era o único lugar meio sol-meio sombra que eu pude encontrar. 
Deixei meus pensamentos irem longe. Revi aqueles olhos castanhos me olhando firmemente, enquanto o vento frio passava cortante nas minhas costas, e tudo o que eu ouvia eram palavras indecifráveis e incoerentes. Não dava pra negar que eu estava completamente confusa e perdida. Em contrapartida, o sorriso, o sossego, a naturalidade eram simplesmente fascinantes, não parecia certo deixar pra lá. Fechei os olhos bem apertados e desejei não estar sendo invadida por sentimentos tão confusos. Como viver sem arriscar? Que tipo de histórias você tem pra contar em rodinhas de amigos quando não se tem coragem de correr riscos? Como ter coragem de correr riscos quando não se dá pra calcular os danos prováveis? Depois do que passei nos últimos tempos, como é que não aprendi que não dá pra saber, muito menos controlar, o que se passa no coração e na cabeça de outra pessoa?
Nesse tempo, o meio sol já tinha se tornado meio chuva. Não se via mais sinal dos dias mansos. Nem tampouco a urgência dos dias agitados. Havia apenas um compasso apertado, um coração latente. Eu ainda vou me machucar, não vou? A menininha que não aparecia há muito tempo para se meter nas minhas escolhas, sussurrou. E num ato de bravura, respondi firme: vai sim menina, vai sim.


segunda-feira, 11 de março de 2013

O não-ciúme de você

Eu queria escrever mais sobre você. Queria que meus sentimentos estivessem engasgados aqui na garganta e que eu não tivesse paz antes de te contar como dói e incomoda essas suas escolhas. Mas é sério, não dá. 
Simplesmente não dá porque ando tão ocupada tentando encontrar a minha própria felicidade que ver você indo atrás da sua não me incomoda. E por instinto você vai pensar que esse é meu jeito clichê de dizer que fiquei com ciumes. Mas se parar um pouquinho pra pensar, vai entender que comigo não existe jeitinho pra lidar com sentimentos fortes. 
Eu juro que queria ter ficado com o coração acelerado quando te vi do lado dela. Eu já perdi a cabeça uma vez, lembra? Mas dessa vez foi tão diferente. Dessa vez eu só fui capaz de me encher de orgulho ao te ver fazendo boas escolhas, por te ver assumindo riscos e por não te ver intimidado pela minha presença. Fico aliviada por não ser mais aquela menina mimada que não sabe se desapegar do passado, que fica prendendo algo que não a faz feliz só porque não consegue lidar com a sensação de ver o outro seguindo em frente. 
Mas eu te conheço a tempo suficiente pra saber reconhecer quando as coisas que te acontecem são boas de verdade, e isso ai meu querido, parece ser bom pra caramba. E talvez, pensando bem, você me conheça a tempo suficiente pra saber que sua felicidade sincera, gritante aos olhos, seria capaz de desarmar qualquer reação explosiva da minha parte.
Mas eu ainda queria escrever mais sobre você. Queria ter sido invadida por um turbilhão de sentimentos, e  queria que isso estivesse me distraindo agora. Pode ser que de repente, essa coisa de não ter um amor pra lamentar me incomode um pouco. Pode ser que eu tenha ficado tanto tempo apegada aos desamores do passado que essa coisa de não me doer por ninguém seja uma novidade assustadora. E por isso eu esteja aqui tentando escrever sobre você por cima dessas linhas que gritam coisas sobre mim que não sei se quero saber. 


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mansinha.

Preciso verbalizar essa felicidadezinha mansa que tem me feito companhia nos últimos tempos. Esses dias eu parei pra notar o quanto pode parecer desequilibrado, especialmente pra quem me vê de longe, essa gritaria toda quando há dor, e depois a ausência, e depois a gritaria toda outra vez. Mas acho que as minhas alegrias são mais discretas. Aprendi a escrever pra desafogar a mágoa, a tristeza, a dor. Aprendi a escrever pra entender minhas dúvidas, meus medos, pra tentar fazer algo bonito desses meus fantasmas. Mas nunca precisei escrever as coisas boas. Nunquinha que eu precisei disso, até agora.
Não consigo ficar exibindo pro mundo todo as minhas coisas boas sabe? Parece tolice, mas acho que tenho ciumes dessas coisas que me fazem bem. Mas hoje, de repente, precisei externalizar do jeito bonito, as coisas boas de dentro de mim.
Tá certo, eu vivo dizendo que estou sofrendo e blábláblá. Mas nem tudo é dor nessa minha vida. Tem dias que de manhãzinha o sol tá ali levinho, só pra esquentar as minhas bochechas. E também tem dias que a chuva chega de repente, e eu sou obrigada a sair correndo pra comprar um guarda-chuva - eu adoro comprar guarda-chuva. E sempre eu chego em casa cansada e tem coca geladinha na geladeira. E as vezes a roupa bonita da vitrine é do meu número, ou o sapato dos sonhos está em promoção. Quase sempre tem um amigo, dos bons, colocando um sorriso no meu rosto com uma piada boba.  Ou então conheço gente nova e legal, assim sem ter que sair com uma plaquinha de procura-se no pescoço. As vezes na rua, eu encontro filhotes simpáticos, ou motoristas que me deixam atravessar a rua tranquila. E toda semana dou um jeito de conseguir uma moeda de um real pra comprar dessas bolinhas coloridas que pingam. Não ando por ai de cabeça baixa, como se tudo fosse tristeza. É que minha felicidade é mansa, e as vezes eu não tenho urgência em gritar dela pro mundo. Daí, quem não me conhece direito, fica sempre pensando que sou dessas ingratas que não sabe agradecer a saúde, e a vida que tem.
Ou então, alguém pode pensar que fico me escondendo nessas coisas pra não ver como a minha vida amorosa é deprimente, e sobre isso eu só posso dizer: não é. Tenho a sorte de mesmo depois de sofrer um bocado, não desistir de amar, e de me envolver, e de me arriscar. Tenho a sorte de não me envolver em sentimentos mornos, e de não encontrar o descaso nessas coisas do coração.
Aqui, dor é intensa mas a felicidade também é. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eu sempre me canso.

Me cansa pensar que você tem um monte de sentimentos bons em relação a mim mas não se dá ao trabalho de me ver. Não vou dizer que dói, porque na verdade dor não há. Há apenas aquela sensação incomoda, que li dia desses em algum lugar: a sensação incomoda de quando alguma coisa não termina no fim. Não é que a história toda tenha sido incrível, mas é que a ausência de um final, me faz fantasiar os finais possíveis, e dá uma vontade enorme de tentar forçar para que aconteça.
Me irrita toda vez que você vem me chamar de amor quando está dizendo algo que sabe que eu não vou gostar. Odeio ver que você realmente acha que palavras doces me deixarão menos incomodada. E odeio quando você acerta em cheio no que dizer. Me incomoda quando você diz que vai ligar e não liga, quando diz que vai me encontrar e desmarca, quando diz qualquer coisa e depois volta atrás no que disse. Odeio você ser essa pessoa de momentos. E o que mais odeio nisso é que eu sei exatamente como é ser alguém assim, eu sou assim, mas não sou assim com você. Não sou assim com você, porque quando eu tinha dezesseis anos eu me apaixonei por você e te coloquei num pedestal, e agora, por mais realista que eu seja, é extremamente difícil separar a imagem que eu fiz de você e a que você fez de você mesmo pra mim. 
Gosto de você ter aceitado sair comigo num dia dos namorados, e de ter andado na rua de mãos dadas comigo, mesmo sem ser meu namorado. Gosto de lembrar dos nossos bons momentos, gosto mesmo, mas me cansa quando eu percebo que é só isso que temos. Eu queria mesmo é ter brigado pelo menos uma vez com você, de gritar, de olhar no olho, de te ver sendo alguém menos politicamente correto.
Me cansa conhecer só a sua versão que impressiona, porque é certinha demais pra ser de verdade, e eu odeio coisas que não são de verdade. Me incomoda muito ter que saber da sua vida através do seu irmão, e de fotos que você nem sabe que estão publicadas. Me incomoda muito ter que te mandar duas mensagens, para que você me responda uma. Mesmo que essa uma seja sempre de tirar o fôlego.
Me cansa magoar tantas pessoas porque eu simplesmente não consigo excluir você, as memórias, as fantasias e os planos, da minha vida. Me magoa, me cansa, me irrita e incomoda. Entende que isso não me dói, mas me incomoda? É como se eu te carregasse sempre pra baixo e pra cima, aqui dentro, na expectativa de que algo aconteça, correndo o risco de nunca acontecer. Como um vicio, um mau hábito, uma coisa ruim que eu não consigo abrir mão. Como no livro que termina no meio de uma frase e você simplesmente não consegue desistir de descobrir o final. 



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sinto muito.

Já faz um tempo que estou nessa de fingir que está tudo bem para que ninguém se preocupe, mas se você gosta de mim esse tanto que diz que gosta, me deixa lamentar. Me deixa sofrer pelo que se foi, e me deixa gritar que eu sinto muito. Dá uma canseira danada ter que fingir que odeio tudo o que passou. Entenda de uma vez, sou capaz de amar cada defeitinho de cada um que já me magoou, e isso faz parte de mim. Não posso sair gritando pro mundo que odeio aquele cheiro de halls preto, nem que odeio absinto, física, velhas, nem qualquer uma das coisas que eu deveria odiar, mas por me lembrarem tanto de alguém, eu não consigo - e não quero. Eu sei que você vai dizer que sofrimento não faz bem, e que a vida tem que seguir. Mas não diz não, e me deixa aqui com essa tristeza. 
Me deixa aqui pensando em tudo que faz parte de mim agora, mas veio de outro alguém. Me deixa gostar de yakissoba, xbox, ivete, teatro, pizza hut, massagem e de tantas outras coisas que eu aprendi a gostar ao longo dos dias. Me deixa aqui chorando toda dor, toda saudade, todo medo, toda dúvida, todo desejo, me deixa chorar tudo. Já faz um tempo que eu estou nessa de fingir que está tudo bem, mas acho que não está. Não está tudo bem em ter que explicar meus motivos, minhas angústias, em tem que esconder meus desejos bobos de voltar no tempo. Não está tudo bem em ter sempre alguma dor pra chorar e como vez ou outra elas parecem se repetir. Se você não puder entender, pelo menos respeite essa minha dor. Não tente invadir meu peito e tirar de lá tudo o que você não acha certo. Só eu sei o que carrego ali dentro e a que preço me mantenho em pé. Não tente invadir meu peito pra compreender minhas dores, não iria ajudar em nada. Mas faz assim: me deixe aqui com essa tristeza, e espera por perto até que ela se vá.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Vai moço, vai.

Venha cá moço, e me faz um cafuné. Me deixa deitar no seu colo e te contar meus medos. Me deixa abrir esse coração ferido, e me faz acreditar que não tem problema ficar assustada.  Não moço, não tente me consolar, nem queira me fazer esquecer essa dor. Só me deixe encostar no seu ombro e chorar. Me deixa lamentar meus problemas, minhas ansiedades. Me responda com um abraço, um olhar, uma frase curta, qualquer coisa. Venha cá moço, e me deixe aninhada no seu peito. Me deixa agir como essas crianças manhosas que se escondem quando tem medo.
E então me faz um favor: grita pro mundo o nosso fim.
Grita que as coisas não estavam bem, e grita suas dores junto com as minhas. Grita a saudade dos nossos momentos bons, grita o incomodo de tudo que foi ruim. Grita tudo. Se desafoga dessas mágoas, dessas esperanças. Não tente me interpretar, garanto que essas linhas todas estão cheias da mais sinceras emoções. Apenas leia, e guarde pra você. E se puder, guarde em você tudo aquilo que você sentiu. Eu te amei, com tudo que eu pude e sei que você me amou também. Não precisa fingir que isso tudo foi mentira. Mas grita, grita tudo aquilo que foi ruim. Depois, enterra de vez essa história que não deu certo. 
Caramba, você sabe que eu sou das mais sinceras possíveis, e também sabe que eu nunca, nunquinha mesmo, gostei de colocar ponto final nas coisas. Mas para que haja alguma chance de eu e você sermos nós outra vez, o passado - e tudo o que se passou nele - tem que ser superado, tem que ser curado, tem que ficar pra trás.
Entenda que eu não estou aqui mandando você se jogar nos braços de uma garota qualquer, mas, se esse for o único jeito pra você superar, pra você se encontrar, pra você seguir em frente: vai em paz moço, vá em paz.

domingo, 25 de novembro de 2012

236.

Hoje escrevi mais um texto sobre você. Não é nenhuma novidade, eu sei, mas é que depois de escrever, e ler e reler, não tive coragem para publicar.
Na verdade, o que acontece é que eu cansei de me expor em relação a você. Passa tanta coisa na minha cabeça, e no meu coração, quando estou pensando em você que escrever é o único meio de tentar tornar as coisas claras. Mas publicar isso, para todo mundo ver, menos você, me parece agora loucura demais.
Sei que já escrevi duzentos e trinta e cinco textos sobre o que eu sinto, sobre o quanto eu lamento não termos dado certo, sobre o quanto eu sofri enquanto ainda tinha esperanças.
Mas as coisas estão diferentes agora, estou vivendo numa cidade nova, e por mais que eu deseje não vou encontrar você ao acaso no supermercado. Também tenho um namorado agora, te contei não foi? Ele me faz incrivelmente feliz, ainda que tenhamos problemas - coisas do meu mau humor, da minha correria de sempre, ainda lembra? Comecei usar lentes de contato, mas não consegui largar os óculos vermelhos totalmente. Emagreci dois quilos. Já alisei meus cabelos, mas agora estão enrolados outra vez. Estou indo muito bem na universidade, já fiz vários outros amigos, e mantenho aqueles poucos que você já conhecia.
E sem querer, acabo por escrever mais um texto em que você aparece.
Como é que pode esse tipo de coisa continuar acontecendo? Eu continuar me importando com o que você sabe, com o que você pensa, com que você faz. Não, it's not a big deal. Eu já te disse, esse meu excesso de sentimentos por você não significam muita coisa. Nós não somos uma opção. E nem se atreva a duvidar disso. Mas passa tanta coisa dentro de mim, quando seu nome, ou seu rosto aparecem, que eu fico até constrangida. Uma vez eu juntei tudo o que eu já tinha escrito sobre você, e te forcei a ler, mas agora até isso não parece mais ser aceitável.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Queda livre

Hoje o dia amanheceu assim, sem graça, desse jeito que me faz parar e pensar. E eu pensei. Pensei como as coisas tem parecido sempre turbulentas. Sabe? Daquele jeito que eu fico, durmo, acordo e durmo outra vez,  e o cansaço não some.
Hoje o dia se estendeu como uma descida íngreme: eu e você insatisfeitos com a realidade, eu e você querendo uma solução pros nossos problemas, eu e você discutindo num silêncio absurdamente agressivo.
Sabe que em dias assim, sempre em dias assim, eu paro e penso. E eu pensei. Pensei que você não faz com que eu me sinta bonita de moletom, e me faz sentir coisas ruins por ser assim brava como sou. Pensei mais uma vez como é dificil querer fazer algo dar certo simplesmente porque há amor. Afinal não dá  nem pra garantir que haja.
Fica dificil querer estar com você, especialmente quando eu estou querendo tanto a sua companhia e te sinto se dando a tantas outras companhias, entende? Você se enche pra dizer que precisa de mais tempo comigo, e eu não consigo ver verdade nisso. Só vejo pirraças, desafios e feridas.
Por favor, não venha repetir um eu-te-amo como se isso resolvesse tudo. Talvez, num mundo de conto de fadas isso resolva, mas no meu mundo, nesse que você cada vez mais evita fazer parte, um eu-te-amo não muda muito. Na verdade, não muda nada quando é dito assim pra tentar estancar a ferida aberta. Não muda nada quando significa que todos os meus sentimentos ruins deveriam sumir simplesmente porque você está dizendo que me ama.
Posso ver você dizendo: tempestade em copo d'água, não fiz nada de errado e você também faz coisas assim...
Mas as coisas nunca foram e nunca serão equilibradas entre nós. Nunca. Eu nunca vou lidar com as coisas como você e nunca o meu silêncio vai doer como o seu, e nunca o seu grito como o meu. Seus amigos, seus filmes, suas músicas e seus jogos: nunca foram e nunca serão igualmente queridos como os meus. E pára de tentar comparar seus hábitos de dois meses, aos meus de seis anos. Pára de tentar fazer o que eu faço pra que eu veja como você se sente. Eu sinto mais, e eu sinto muito.
Depois da descarga de adrelina você volta pra sua rotina e vive muito bem. Eu, depois da adrelina, vivo e revivo infinitas vezes, e sofro e choro e fico vermelha de tanta raiva. Eu sinto mais, e eu sinto muito.
Hoje o dia amanheceu, assim sem graça, e eu poderia ter desejado deitar no seu colo e descançar. Eu poderia.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Absurda distração

Tenho pensado em você. Sei que mais ninguém entende porque eu não exclui você das minhas memórias. Depois de tanto tempo e depois de tanta dor parece que seria natural não pensar nunca mais em você. Mas isso nunca me pareceu certo. E hoje, mais do que nos outros dias, estou acostumada a pensar em você. Tente entender, me escondo nas lembranças daquela época, e nos diálogos que poderiam acontecer se nos encontrássemos por acaso. Eu me mostrando linda e travessa e você provando sua maturidade e seus hábitos antigos. Com uma convicção absurda, eu sempre soube que por mais que eu sofresse por você todas as coisas iam ficar bem. E hoje, mais do que nos outros dias, preciso ter essa convicção absurda. É óbvio pra mim, mas talvez não seja pra mais ninguém: quero que as coisas voltem a ser tranquilas como eram antes, quero que meus problemas sejam simples como um amor mal resolvido, mal correspondido, mal realizado. Parece ingratidão com tudo o que eu tenho, desejar sofrer desse mal, mas a vida de gente grande tem fantasmas e monstros muito maiores do que esperar você responder minhas mensagens. Tenho sentido falta desse sofrimento bobo, que por mais doloroso que seja, vai ser sempre considerado bobo. Sinto falta de pensar no amor como uma história dessas inabaláveis, onde tudo é lindo e a poesia surge sutil entre os diálogos, sinto falta do romantismo dos meus textos teus, e de como sofrer por amor me parece mais bonito do que qualquer outro sentimento. 
Entenda que eu preciso fugir um pouco dessa vida que eu tenho agora, dos problemas tão impossíveis e de toda dor que estou sentindo, e nada me parece tão certeiro como mergulhar naquela dor que eu já senti e sei que passa, entende? Eu conheço a dor de não ser amada de volta, sei como é que funciona, e, mais do que tudo, sei que passa. E a única coisa que eu preciso agora é saber. Sei também que você nunca se importou de ser usado, e que não vai se ofender se eu usar as suas lembranças pra esquecer um pouquinho a realidade. Entenda também, que mesmo mergulhada nas suas lembranças, não sou ingênua de querer você aqui comigo, você não é companhia dessas de ser ter sempre, de ser sincero. Se eu te encontrasse hoje, assim por acaso e depois de tanto tempo, eu fingiria ser linda e travessa pra te impressionar, mas eu não conseguiria sustentar isso por mais de dez minutos: hoje sou alguém bem menos impressionante. Vira e mexe eu saio de casa mal arrumada, com uma expressão de cansaço contínuo, e não me espanta o fato de que as vezes suspiro aliviada por não ter que fingir estar bem. Como eu disse, as coisas estão meio turbulentas agora. Mas me perder naquelas lembranças sobre você e sobre como eu era quando te amava, servem perfeitamente de distração.




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Despedida

Já faz muito tempo desde o dia em que nos vimos pela primeira vez. Como nessas histórias de filme, foi algo simples e casual mas que sinceramente me marcou demais. Foram os vinte dias mais inesperadamente marcantes que eu já tive. Mas não quero que isso pareça uma pretensão de atrapalhar sua vida, nem mesmo posso dizer que quero voltar no tempo pra ter esses olhos castanhos me olhando tão firmemente de novo.
Quero apenas te dizer que me orgulho de quem você se tornou. Te acompanhei de longe nesses setes anos que se passaram, e posso dizer que você é um homem forte, maduro, consciente, responsável e que continua tão tímido quanto era há anos atrás.
Não tenho a pretensão de achar que você ainda lembra dos meus olhos castanhos te olhando firmemente. Ainda assim, acho justo me desculpar pela minha imaturidade.  Quando te conheci, ouvi de um amigo que Não adianta ser a coisa certa, precisa ser também no momento certo, e no nosso caso, não houve um momento certo. E é claro que, não haver um momento certo foi a coisa mais certa que poderia acontecer.
Não sei se preciso te dizer, mas você nunca me decepcionou. Nunca mesmo. Eu só lamento ter sido tão nova e não ter ninguém pra me impedir de te decepcionar. Lamento de verdade. Lamento minhas birras, minha ausência, minha falta de sabedoria pra ver quem eram as pessoas que me faziam companhia e mais que tudo, lamento minha covardia pra não dizer tudo isso antes pra você.
Não se assuste, te escrevo agora apenas pra te desejar as melhores coisas nessa vida. As melhores risadas, as melhores noites, as melhores companhias, o melhor amor, a melhor saúde, as melhores bençãos. Não consigo pensar em nenhuma outra pessoa pra qual eu desejei tantas melhores coisas assim. 
Por fim, quero te contar que toda vez que você passava por mim, eu orava baixinho pra que Deus te acompanhasse e te guiasse pra sua felicidade, e hoje fiquei com uma sensação de dever cumprido: sua felicidade está ai, estampada no seu rosto e, a partir de agora, não preciso mais sussurrar por você.

Porque algumas pessoas ficam guardadas pra sempre.