Sabe, as coisas param de doer tanto depois de um tempo. Independente de quão triste ou tão perfeita seja a minha lembrança, depois de certo tempo fica meio turva, parece um tanto infiel.
Eu tenho certo problema com números, fica difícil mensurar o quanto eu ainda me importo, ou quanto tempo vai levar pra eu virar a sua página, mesmo você tendo se esforçado pra me provar como tudo pode ser estatisticamente planejado. Sinto falta dos seus gráficos, ou pelo menos de como você os aplicava nas nossas conversas.
Mas é só isso, entende? Sei que te assusto com essa minha intensidade toda, com essa coisa de querer o amor sempre presente, de lidar com a aversão e de ser profundamente entregue. Mas isso faz parte, não é ingenuidade minha, é só essa mania de querer fazer minha vida funcionar como nos livros que eu tanto amo.
Não me culpe por ter visto suas qualidades, por ter aceitado o desafio de te fazer sorrir, pra mim, por mim; por ter tentado até depois da prorrogação te entender. E pode parecer prepotência, mas eu sei que te entendo. Só não me culpe por isso, porque se você o fizer, eu sei que vai voltar a doer, tudo de novo.
Mas se eu tivesse direito a um pedido, um só, eu pediria para que você não me tratasse como uma estranha; aliás eu imploraria se pudesse, para você ser sempre aquele que você era durante nossas conversas. E assim, só assim, eu teria certeza de que qualquer dor, lágrima, sonho ou sorriso meu não foi em vão.
Haja o que houver o tempo nos afastar
Certas coisas nunca vão se apagar ♪
Catch Side - O quinto